Sandra Parente: «Plano Estratégico é muito ambicioso»

Institucional

Diretora da FPF detalhou sobre os eixos que sustentam este programa

Um dia depois da apresentação do Plano Estratégico 2024-36, Sandra Costa Parente, Diretora da Federação Portuguesa de Futebol, foi convidada especial do programa “11 na Hora”, transmitido pelo Canal 11 da FPF, tendo ali a oportunidade para detalhar sobre este documento estruturante.

“É um plano extremamente desafiante, sobretudo porque temos um horizonte temporal muito alargado. Isto tinha de nascer daquilo que foi o nosso plano programático, que levou à eleição do atual presidente e da direção. Foi um plano programático “Unir o Futebol”, um processo que levou à auscultação de diversos stakeholders, que vivem e que fazem o futebol português: desde as associações de classe, às ADR, desde a Liga Portugal aos clubes. No seguimento deste plano, era importante que a nossa estratégia fosse beber a esta fonte. No entanto, é claro que não nos limitamos, nem nos reduzimos a este documento. Quando chegámos, encontrámos uma realidade e tivemos de analisar, fazer um diagnóstico interno e externo, daquilo que eram as forças de mudança que poderiam impactar no desenvolvimento do futebol português nos próximos anos. Falo, por exemplo, do Mundial 2030, ou do comportamento dos adeptos no futuro, as novas regras de integridade e responsabilidade na indústria do futebol, a expansão do futebol feminino, entre muito outros temas que sabemos que vão ser desafiantes no futuro. Tudo isto foram variáveis que considerámos para a adaptação do plano programático até chegarmos ao Plano Estratégico que ontem apresentámos aos nossos sócios ordinários”, sublinhou Sandra Costa Parente, antes de aprofundar sobre alguns dos eixos que sustentam o Plano Estratégico 2024-36.

Modelo Financeiro
“É um plano ambicioso. Temos aqui várias medidas com impacto financeiro. Estamos a rever o modelo de financiamento atual do futebol português porque achamos que é preciso trazer todos os intervenientes para esta discussão, no sentido de percebermos se esta realidade atual é a que serve ao futebol português, ou se precisamos de proceder a alguns ajustes que nos levem a um desenvolvimento mais adequado desta indústria. Uma das medidas é exatamente essa: a revisão do modelo atual de financiamento, que nos permitirá ter uma realidade mais precisa e mais adequada para o futebol que temos.”

Plano Nacional de Arbitragem
“Definimos nove áreas de intervenção. São microplanos que foram beber ao macroplano, mas que detalham as medidas a implementar em cada área e que abrangem muitas das nossas modalidades, como o futsal, o walking football, o futebol de praia. Também entra em áreas como o scouting, o desenvolvimento regional. Temos também o Plano Nacional de Arbitragem, um documento que irá incidir em medidas obviamente relacionadas com este sector. É um processo que já estava em curso na FPF e que nós vamos dar continuidade. Achamos importante olhar para a realidade de outros países, sempre conscientes de que teremos de atender à nossa própria realidade, fazendo as adaptações necessárias. É importante beber das boas práticas que já estão implementadas noutros países. Temos de trazer para este processo todos os intervenientes que vão beneficiar com esta entidade externa da arbitragem. Futebol profissional, futebol não-profissional, todos terão de ser chamados para a discussão desta entidade. Ainda não temos um modelo fechado.”

Mundial 2030
“Há uma oportunidade que é evidente: o Mundial 2030. É um dos eixos do nosso Plano Estratégico e está claramente delineado aquilo que queremos atingir. Não só no plano desportivo. Queremos enfoque nas infraestruturas e na capacitação dos recursos, na sustentabilidade e na projeção da marca. Queremos que seja um evento de excelência, em termos de organização. Queremos que projete a nossa marca em termos internacionais.”

Reforma da disciplina e da justiça

“É uma urgência e posso dizer que, desde que entrámos na FPF, percorremos um longo caminho, que nos permitiu reduzir significativamente os prazos no futebol profissional. No futebol não-profissional, temos um número de processos muito elevado, mas estamos no bom caminho. Foi implementado um sistema de controlo e de métricas, que nos vai permitir monitorizar regularmente as decisões e os tempos de decisão.”

Quadros competitivos

“A nossa grande preocupação é ter uma visão integrada de todo este processo. Não podemos olhar para os quadros competitivos de forma individual em função de cada competição. Temos de ver da base até ao topo. Exige um trabalho de conjunto entre as várias entidades intervenientes em cada um dos processos. Falamos já aqui da Supertaça e da Taça de Portugal, que são novos modelos que estamos a repensar e que teremos oportunidade de apresentar em breve. Vai haver alterações nos quadros competitivos, temos grupos de trabalho a estudar estas temáticas. É um tema que nos preocupa porque achamos que tem impacto no desenvolvimento do futebol.”

Futebol no feminino

“A profissionalização do futebol feminino é uma meta ambiciosa. Mas é possível. Caso contrário, nunca a teríamos colocado. A este eixo quisemos chamar de “Futebol No Feminino”. Não estamos a falar só das jogadoras e das treinadoras; queremos chegar ao universo feminino de outra forma. A dirigentes, os próprios adeptos. Não é um eixo que se centra única e exclusivamente no crescimento do número de atletas. Preocupa-nos também o aumento da competitividade e o trabalho feito desde a base, para podermos ir formando atletas e podermos ter seleções competitivas. Há um conjunto de medidas que visam tudo isto, muito especificamente.  O maior desafio? É difícil responder. A questão das infraestruturas preocupa-nos bastante. Relvados, academias, especialmente para o futebol feminino. Temos um longo caminho a concorrer. Juntos, com o Governo de Portugal, com as autarquias. Se não tivermos condições, não vamos conseguir aumentar o número de atletas.”


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25 de Fevereiro 2026
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